Grupos Shimano de MTB: do Tourney ao XTR, o que muda em cada degrau
Embreagem no câmbio, amplitude do cassete, Linkglide ou Hyperglide+, cubo HG ou Micro Spline: são essas quatro coisas que separam um degrau do outro, e não o nome gravado no câmbio. Com a reorganização de 2026 e os preços de peça e de bike no Brasil.
Grupo é o conjunto que faz a bike trocar de marcha e, na Shimano, também frear: câmbio traseiro, trocador, cassete, corrente, pedivela, movimento central e freio. O nome gravado no câmbio diz pouco. Um Altus de 2010 e um de 2017 são grupos diferentes, um Deore pode ter 10, 11 ou 12 marchas, e o SLX deixou de existir como nome em 2026. Este guia mostra o que muda entre os degraus, o que é compatível e onde o dinheiro rende mais, e acompanha a escada de grupos. Números de fichas da Shimano e testes publicados; preços aproximados, de outubro de 2026.
Qual é a ordem dos grupos Shimano de MTB?
Do mais simples para o topo: Tourney, CUES (U4000, U6000 e U8000), Deore (M6100 e, desde 2026, M6200 e M7200), SLX (M7100, nome aposentado em 2026), Deore XT e XTR. Altus, Acera e Alivio ainda aparecem em muita bike nova no Brasil, mas saíram de linha a partir de 2023, quando o CUES assumiu a faixa deles. Abaixo do CUES fica o ESSA, de 8 velocidades, para bikes baratas.
1Tourney6/7 (TY, roda livre) ou 7/8 (TX, cassete)v · 14–28/14–34 (roda livre TY) ou 11–32/12–32 (cassete TX)Uso urbano, lazer em ciclovia e estradão leve; não é grupo para trilha técnica.
2Altus9v · 11–36Quem está começando no MTB com orçamento curto e roda em estradão e trilha leve.
3Acera9v · 11–36Iniciante que quer um degrau acima do Altus sem mudar de faixa de preço.
4Alivio9v · 11–36Quem pedala estradão e trilha moderada e quer manutenção barata.
5CUES U40009v · 11–41 (1x9; ex.: CS-LG300-9) ou 11–36Primeira bike de trilha com 1x simples e peças baratas de repor.
6CUES U600010 ou 11v · 11–48 (10v) / 11–50 (11v)Quem faz trilha de verdade e quer 1x durável sem pagar por 12v.
7CUES U800011v · 11–50E-bikes e MTBs de uso intenso onde durabilidade importa mais que peso.
8Deore12v · 10–51O "ponto ideal" para trilha e XC amador no Brasil: 12v confiável com peças acessíveis.
9SLX12v · 10–51 (ou 10–45)Quem pedala muito e quer economizar peso sem pagar preço de XT.
10Deore XT12v · 10–51 ou 9–45Atleta amador e trilheiro exigente que quer o melhor custo-desempenho da Shimano.
11XTR12v · 10–51 ou 9–45Competição de XC/maratona e quem quer o melhor da Shimano sem olhar preço.
Na tabela, a coluna de preço é a faixa da bike completa nova onde o grupo costuma aparecer: estimativa editorial, boa como ordem de grandeza, não como cotação.
A escada Shimano de MTB: marchas, cassete, embreagem e faixa de preço da bike (estimativa editorial, out/2026)
Grupo (código atual)
Marchas e configuração
Cassete típico (dentes)
Câmbio com embreagem
Bike completa (R$, aprox.)
Tourney (TY300, TX800)
3x6 a 3x8
14-28 ou 14-34 (roda livre); 11-32 (cassete)
Não
1.000 a 2.500
Altus (M2000; antigo M310)
3x9 ou 2x9 (M310: 3x7/3x8)
11-36
Não
2.000 a 3.500
Acera (M3000)
3x9 ou 2x9
11-36
Não
2.500 a 4.000
Alivio (M3100)
2x9 ou 3x9
11-36
Não
3.000 a 4.500
CUES U4000
1x9 ou 2x9
11-41 ou 11-46
Não (mola reforçada)
3.000 a 4.500
CUES U6000
1x10, 1x11 ou 2x
11-48 (10v), 11-50 (11v)
Sim, no 1x
3.500 a 6.000
CUES U8000
1x11
11-50
Sim
5.000 a 9.000
Deore (M6100, M6200, M7200)
1x12
10-51
Sim (M6100, M6200); estabilizador de duas molas (M7200)
5.500 a 11.000
SLX (M7100)
1x12 ou 2x12
10-51 ou 10-45
Sim
9.000 a 16.000
Deore XT (M8100, M8200, M8250 Di2)
1x12
10-51 ou 9-45
Sim (M8100); estabilizador de duas molas (M8200)
14.000 a 35.000
XTR (M9200, M9250 Di2)
1x12
10-51 ou 9-45
Estabilizador de duas molas (Di2)
40.000 a 90.000
Do Tourney ao Alivio a diferença é gradual: todos são 3x ou 2x sem embreagem. O salto que se sente é o 1x com embreagem, que começa no CUES U6000. Do Deore 12v para cima muda peso, acabamento e o toque do trocador.
Quer ver a escada aplicada numa linha só de bikes? O comparativo da Oggi Big Wheel mostra o que muda de grupo, garfo e freio, versão por versão.
Qual a diferença entre Tourney, Altus, Acera e Alivio?
Altus é melhor que Tourney, Acera é um pouco melhor que Altus e Alivio é o melhor dos três, mas entre os três de 9v a distância é pequena. O que separa de verdade é o Tourney do resto.
Tourney é grupo de lazer. As versões TY usam roda livre de rosca: o bloco de pinhões rosqueia no cubo e leva a catraca dentro dele, o que deixa o rolamento direito longe da ponta do eixo. Com peso e buraco, esse eixo entorta. O câmbio não tem embreagem e as peças de aço são pesadas e com folga. Em ciclovia funciona; em trilha com raiz, a corrente bate no quadro e cai.
Altus tem duas vidas. O antigo M310, de 7 ou 8 marchas, é o das bikes vendidas como "24 marchas Shimano Altus", e anda mais perto do Tourney que do Altus atual. O M2000, de 2017, é 9v com cassete 11-36 no núcleo HG e câmbio Shadow, de perfil baixo, mais recolhido para dentro do quadro e menos exposto a pedra e tombo.
Acera M3000 funciona quase igual ao Altus M2000, com acabamento um pouco melhor e opção 2x. Alivio M3100 é o topo da era 9v, com trocador Rapidfire Plus mais preciso e pedivela mais rígido. Os três usam a mesma corrente de 9v e trocam peças entre si. A reposição é barata (um câmbio Altus M310 sai por R$ 140 a 190 nos anúncios de outubro de 2026), mas para bike nova de trilha a geração seguinte entrega mais pelo mesmo preço.
O que é o Shimano CUES e o que ele substituiu?
CUES é a linha lançada em fevereiro de 2023 que substituiu Altus, Acera e Alivio e o Deore de 10 e 11 velocidades (M4100 e M5100). Os níveis de MTB são U4000 (9v), U6000 (10 ou 11v) e U8000 (11v, pedivela Hollowtech II), além de um U3000 de 9v para bikes simples. O Tourney ficou de fora e o Deore 12v ficou acima.
O que define o CUES é o Linkglide: pinhões mais grossos, dentes mais altos e rampas de troca mais robustas que as do Hyperglide antigo. Dente alto segura a corrente mesmo gasto, e pinhão grosso espalha a força em mais material. Resultado: menos pulo de corrente com o cassete velho e troca mais suave fazendo força na subida. A Shimano diz que o cassete Linkglide dura até três vezes mais. É alegação do fabricante, sem teste independente, mas a lógica vale para o barro vermelho e a poeira do interior, que acabam com cassete e corrente.
O CUES também simplificou a oficina. Todos os níveis usam a mesma corrente de 11v (até o 1x9), a mesma relação de cabo e o mesmo espaçamento de pinhões. Os cassetes encaixam no núcleo HG das bikes de 8 a 11 marchas, então você não precisa trocar a roda; em bike de 7 marchas, confira antes, porque o núcleo pode ser estreito demais. O ponto fraco do U4000 é não ter embreagem tradicional (a Shimano usou uma mola mais forte). O U6000 1x já tem, e é o primeiro grupo da escada que indicamos para trilha sem ressalva.
CUES ou ESSA? CUES: o ESSA é de 8 marchas, para bike de entrada e uso urbano. CUES ou Deore? O CUES dura mais e cabe no núcleo HG; o Deore 12v tem mais amplitude, cassete mais leve e troca mais rápida, mas pede núcleo Micro Spline. Na bike nova a diferença de preço às vezes some: em outubro de 2026, a Oggi Big Wheel 7.2 com Deore 12v saía por volta de R$ 5,9 mil e a Sense Impact Pro com CUES 11v, perto de R$ 6,2 mil (medianas de anúncios). Quadro e garfo pesam mais no preço que o grupo.
Deore ou SLX: o que mudou com o Deore M6200 e M7200?
O Deore M6100 trouxe em 2020 o pacote do XT para a faixa intermediária: 12 marchas, cassete 10-51, núcleo Micro Spline, câmbio Shadow RD+ com embreagem e Hyperglide+. O SLX M7100 faz a mesma coisa com peças mais leves. No teste da BikeRadar, o grupo SLX pesou 1.864 g, 155 g a menos que um Deore equivalente, quase tudo no cassete, na corrente e no pedivela Hollowtech II. Câmbio e trocador são praticamente iguais, e o veredito foi que o SLX é confiável, mas não é um salto grande sobre o Deore.
510%amplitude do cassete 10-51 do Deore 12v
155go que o grupo SLX economiza sobre o Deore no teste da BikeRadar
3xdurabilidade do cassete Linkglide sobre o Hyperglide, segundo a Shimano
1.737gtransmissão XTR Di2 completa, sem freios
Em junho de 2026 a Shimano aposentou o nome SLX e dividiu o Deore em dois níveis. O M7200 herda o lugar do SLX: cassete 10-51 de aço com o pinhão de 51 dentes em alumínio e câmbio Shadow ES, que troca a embreagem ajustável por um estabilizador de duas molas com 70% mais força, segundo a marca. O M6200 é o nível mais barato: cassete de aço com suporte de alumínio, câmbio com embreagem Shadow+ ajustável, pedivela de duas peças com eixo de 24 mm e coroa de 30 ou 32 dentes. Há versões Linkglide de 11v (M6230, M7230) e um trocador de e-MTB que troca uma marcha por vez, para poupar a corrente do torque do motor. Os freios novos têm pinça de 2 pistões (BR-M6200) ou de 4 (BR-M6220).
Então, Deore ou SLX? As três gerações vão conviver nas lojas até 2027. Deore M6100 ou M6200 é o ponto de equilíbrio para trilha e XC amador. SLX M7100 ou Deore M7200 vale se custar quase o mesmo, o que acontece na queima de estoque: kits SLX de quatro peças apareciam entre R$ 1.650 e R$ 2.500 em outubro de 2026, perto dos kits Deore. Pagar milhares a mais só pelo SLX não compensa.
XT, XTR e Di2
O Deore XT é onde a diferença aparece no dedo: no teste da BikeRadar, o trocador XT M8100 tinha clique mais seco e curso mais curto que o do SLX. O XT mecânico novo, M8200, também usa Shadow ES, com gaiola longa para o 10-51 ou média para o 9-45 de XC, e tem versão Linkglide 11v (RD-M8230) para e-MTB. Para o amador exigente, é o melhor custo-desempenho da Shimano.
O XTR atual é o M9250 Di2, sem fio, de junho de 2025. A transmissão pesa 1.737 g sem freios (BikeRadar), a bateria de 23 g no câmbio rende 340 km por carga (Shimano) e o grupo custava cerca de US$ 2.560 lá fora. É peça de competição.
O Di2 desceu a escada: há XT Di2 (M8250) e, desde junho de 2025, Deore Di2 (RD-M6250, sem fio, com bateria própria). Em e-MTB existem câmbios alimentados pela bateria da bike (RD-M6260, RD-M8260), e com eles o Auto Shift, que troca sozinho pela velocidade e pelo torque, e o Free Shift, que troca sem você pedalar, usando o motor para girar a corrente; os dois dependem do motor Shimano (veja os motores de e-bike). Em bike comum, o ganho é troca precisa sem cabo que estica nem conduíte com barro.
O que muda de verdade de um degrau para o outro?
Cinco padrões explicam quase toda a diferença e ensinam a ler qualquer ficha.
Câmbio com embreagem
Cada pancada na trilha faz a corrente chicotear. Num câmbio comum, a gaiola gira para a frente, a corrente afrouxa, bate no quadro e pode cair da coroa. O Shadow RD+ põe uma embreagem de mola dentro do câmbio que segura a gaiola: ela segue livre para esticar a corrente, mas resiste a ir para a frente. A Shimano lembra que isso pesa mais no 1x, onde não há câmbio dianteiro guiando a corrente. O Shadow ES de 2026 faz o mesmo com duas molas fortes. Sem um dos dois, 1x em trilha não funciona bem.
Cassete e amplitude
Amplitude é a relação entre a marcha mais pesada e a mais leve. Num 1x, é o pinhão maior dividido pelo menor: 51 ÷ 10 = 510%. O 11-42 dos primeiros 1x11 dá 382%; o 11-46 do Deore 10v e do CUES 9v, 418%; o 11-50 do CUES 11v, 455%. Mais amplitude é marcha leve para a rampa e pesada para o asfalto, com uma coroa só. Faça a conta com a sua coroa na calculadora de relação de marchas.
Amplitude e marcha mais leve por transmissão (relação = dentes da coroa ÷ dentes do pinhão; quanto menor, mais leve)
Transmissão
Exemplo de grupo
Coroas x cassete (dentes)
Amplitude total (%)
Marcha mais leve (relação)
3x7
Tourney
42/34/24 x 14-28
350
0,86
3x8
Altus M310
42/32/22 x 11-32
555
0,69
3x9
Acera, Alivio
40/30/22 x 11-36
595
0,61
1x9
CUES U4000
30 x 11-46
418
0,65
1x10
CUES U6000
32 x 11-48
436
0,67
1x11
CUES U6000, U8000
32 x 11-50
455
0,64
1x12
Deore, SLX, XT
32 x 10-51
510
0,63
1x12 XC
XT, XTR
32 x 9-45
500
0,71
1x, 2x ou 3x
O 3x9 tem a maior amplitude da tabela, mas das 27 combinações muitas se repetem, várias cruzam a corrente e você carrega câmbio dianteiro, trocador esquerdo e três coroas. O 1x12 chega quase à mesma marcha leve com metade das peças e uma alavanca só. A coroa narrow-wide (dentes alternados largos e estreitos, encaixando nos elos) e a embreagem seguram a corrente. As gerações 2026 de Deore e XT saíram só em 1x. O 2x do CUES serve a quem faz cicloturismo carregado; o 3x ficou para a bike de lazer barata.
Hyperglide+ ou Linkglide
O Hyperglide+ dos grupos 12v foi desenhado para trocar rápido nos dois sentidos, inclusive para o pinhão menor com o pé fazendo força, e permite cassete leve. O Linkglide pesa mais e para nas 11 marchas, mas engata com menos tranco sob torque alto e, segundo a Shimano, dura até três vezes mais; foi pensado também para a troca automática das e-bikes. E-MTB, uso pesado com pouca manutenção e barro pedem Linkglide; peso baixo e troca instantânea pedem Hyperglide+.
Núcleo HG ou Micro Spline
O núcleo do cubo traseiro é onde o cassete encaixa. O HG, de estrias largas, não aceita pinhão menor que 11 dentes, porque o próprio núcleo ocupa o espaço. O Micro Spline, de estrias finas, permite o pinhão de 10 (e o de 9 no 9-45) e é obrigatório nos 12v Shimano. Se o seu cubo é HG e não aceita núcleo Micro Spline, ir para Deore 12v exige roda ou cubo novo.
Freio dentro do grupo
Ao contrário da SRAM, a Shimano vende freio no grupo, mas a bike "grupo Deore" pode vir com freio MT200 de entrada. O freio decide mais a sua segurança que o câmbio: 4 pistões (M6120, M6220, M7120, M8120) para trail e serra, 2 pistões para XC. Entre níveis, a força é parecida; os de cima ganham ajustes na manete e peso menor. Veja como escolher em freio hidráulico.
O que mistura e o que não mistura nos grupos Shimano?
12v Hyperglide+ mecânico mistura entre si. Trocador, câmbio, cassete e corrente de Deore M6100, SLX M7100, XT M8100 e XTR M9100 conversam, e a geração 2026 mantém a relação de cabo. Trocador XT com o resto SLX ou Deore funciona, como a própria BikeRadar sugeriu.
Linkglide não mistura com Hyperglide. A relação de cabo e o passo dos pinhões são outros: câmbio CUES não anda com trocador Hyperglide de 11v, e cassete Hyperglide não roda em grupo CUES.
Dentro do CUES tudo conversa: mesma corrente, mesmo cabo, pedivelas que servem em qualquer número de marchas. Só o número de marchas do trocador e do cassete precisa casar.
11v não é tudo igual. O Deore M5100 (Hyperglide, 11-51 no núcleo HG) não mistura com o CUES 11v (Linkglide). Quando o câmbio ou o cassete dele acabar, a reposição é o CUES U6000 11v, em conjunto.
11v e 12v não se misturam: espaçamento, largura de corrente e número de cliques mudam.
Altus, Acera e Alivio 9v trocam peças entre si, mas não com o CUES 9v, que é Linkglide.
Como saber qual é o grupo de verdade de uma bike anunciada como "Shimano"?
Leia os códigos, não o anúncio. "21 marchas Shimano" quase sempre quer dizer que só o câmbio traseiro é Shimano (em geral Tourney), com trocador, pedivela, catraca e freio genéricos. "Câmbio Shimano Deore" pode ser só o câmbio, com cassete de outra marca. A conta das marchas já entrega muito: 21v é 3x7, 24v é 3x8 e 27v é 3x9.
Confira três coisas antes de comprar. O trocador é Shimano e do mesmo grupo? Trocador genérico com câmbio bom é o jeito mais comum de baratear a ficha. É cassete ou roda livre? Roda livre não aguenta trilha. E o freio: MT200 é entrada; Deore para cima é freio de trilha.
Os três exemplos abaixo, do nosso catálogo, são bikes de entrada e intermediárias e mostram como ler a ficha. A Caloi Montana tem Tourney 3x7: bike de lazer, ciclovia e estrada de terra leve. Outras fichas comparadas estão em bikes. A Rino Everest anuncia "Shimano Altus" com 24 marchas: é o Altus M310 de 8v, não o M2000, mas traz freio hidráulico. A Absolute Nero 5 é 1x12 com câmbio Deore; confira na ficha do vendedor se cassete e trocador também são Shimano.
Quando vale subir de degrau, e qual upgrade rende mais?
Vale subir quando o degrau novo resolve um problema que você tem. Sair do 3x sem embreagem para o 1x com embreagem resolve corrente caindo, barulho e troca ruim na subida: é o upgrade que mais se sente. Do Deore para SLX ou XT, você ganha peso e toque de trocador, que o atleta de prova percebe e o pedal de fim de semana mal nota. Do XT para o XTR, paga milhares de reais por algumas centenas de gramas.
É desperdício subir de grupo numa bike com garfo de mola sem óleo, pneu pesado ou freio fraco: esses itens custam menos e mudam mais a trilha. Antes de trocar grupo por troca ruim, olhe cabo, conduíte e gancheira: câmbio desalinhado faz um XT trocar como Tourney. Antes, veja como regular o câmbio e meça a corrente.
O upgrade de melhor efeito por real é o kit de quatro peças: câmbio, trocador, cassete e corrente juntos. Pedivela e freio podem esperar. Entre CUES e Deore 12v, quem decide é o cubo:
Quanto custa cada caminho de upgrade (faixas de anúncios de lojas brasileiras em outubro de 2026, aproximadas)
Destino
O que comprar
Cabe no núcleo HG?
Faixa de preço (R$)
Altus M310 (reposição)
Câmbio traseiro
Sim
140 a 190
CUES U4000 1x9
Grupo completo com pedivela
Sim
Por volta de 1.250
CUES U6000 1x10
Grupo (câmbio, trocador, cassete 11-48, corrente, coroa)
Sim
1.600 a 2.400
Deore M6100 1x12
Kit de quatro peças
Não, pede Micro Spline
1.550 a 2.700
SLX M7100 1x12
Kit de quatro peças
Não, pede Micro Spline
1.650 a 2.500
XT M8100 1x12
Câmbio e trocador
Não (o cassete pede Micro Spline)
960 a 1.010
Roda HG e nenhuma vontade de trocar cubo: CUES U6000 1x10 ou 1x11, que cabe no que você tem, dura mais e já tem embreagem. Roda que aceita núcleo Micro Spline, ou roda que vai ser trocada de qualquer jeito: kit Deore 12v, com mais amplitude pelo mesmo dinheiro. Cuidado com kits "Deore 12v" com cassete 11-50 ou 11-52 para núcleo HG: o câmbio é Shimano, o cassete não, e ele define boa parte da qualidade da troca.
Pense na reposição: um cassete Deore ou SLX 10-51 aparecia entre R$ 650 e R$ 800 em outubro de 2026; um CUES 10v 11-48, perto de R$ 320. No barro, essa diferença se repete a cada troca.
Perguntas frequentes
A Shimano Deore é boa?
Sim. O Deore 12v (M6100 e os novos M6200 e M7200) tem a mesma amplitude 10-51, a mesma embreagem e a mesma relação de cabo do XT, com peças um pouco mais pesadas. Para trilha e XC amador, é o grupo de melhor custo-benefício da Shimano.
Qual é melhor, Deore ou Shimano CUES?
Deore 12v tem mais amplitude, cassete mais leve e troca mais rápida; CUES dura mais, custa menos para repor e cabe no cubo HG comum. Para trilha com cubo Micro Spline, Deore; para e-MTB, uso pesado ou cubo HG, CUES U6000 ou U8000.
Qual é melhor, Shimano ESSA ou CUES?
CUES. O ESSA é de 8 marchas e fica abaixo do CUES na escada, pensado para bikes de entrada e uso urbano.
Qual freio é melhor, Deore XT ou SLX?
Na força de frenagem a diferença é pequena; o XT ganha acabamento, peso menor e mais ajustes na manete. Escolher a pinça de 4 pistões em vez da de 2 muda mais a descida do que subir de SLX para XT.
Dá para colocar 12 marchas numa bike de 9 marchas?
Dá, trocando câmbio, trocador, cassete e corrente, quase sempre a coroa ou o pedivela e, se o cubo não aceitar núcleo Micro Spline, a roda traseira. Com roda HG, o CUES 1x10 ou 1x11 dá resultado parecido gastando menos.
O grupo Shimano Altus é melhor que o Tourney?
Sim, principalmente o Altus M2000 de 9 marchas, que usa cassete em vez de roda livre de rosca e câmbio Shadow de perfil baixo. O Altus antigo M310, de 7 ou 8 marchas, fica bem mais perto do Tourney.