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Guia completo Equipamento

Equipamento de ciclismo: o que comprar primeiro e como escolher cada item

Do capacete ao transbike, a ordem certa de compra e o critério técnico de cada item. Com as normas de capacete, a regra do Contran para levar a bike no carro e o que cabe no bolso em cada fase.

Por Redação DH BrasilRevisado em 19 min de leitura
Equipamento de ciclismo arrumado numa bancada de madeira: capacete, sapatilhas, luvas, óculos, caramanhola, farol, bomba, ferramenta e câmara
Imagem ilustrativa gerada com IA

Bike nova na garagem, e a primeira pergunta é quase sempre a mesma: o que mais eu preciso comprar? A resposta curta é que o equipamento de ciclismo tem uma ordem. Primeiro o que protege a cabeça, depois o que resolve o pedal na rua ou na trilha, depois o que deixa o pedal confortável e só então o que mede, ilumina e transporta. Este guia segue essa ordem, explica o critério técnico de cada item e diz quanto custa cada fase no mercado brasileiro.

Vale para mountain bike, speed e gravel; onde a escolha muda com a modalidade, o texto separa os casos.

Qual equipamento de ciclismo comprar primeiro?

Três perguntas, nesta ordem. O que evita um dano sem conserto? O capacete. O que evita voltar empurrando? O kit de reparo com bomba e câmara reserva. O que faz você querer pedalar de novo? A bermuda com forro, que acaba com a assadura que faz muita gente desistir no segundo mês.

Sapatilha e pedal clip, farol, ciclocomputador e transbike vêm depois, quando você já sabe quanto e onde pedala. Comprar sapatilha de speed antes de saber se gosta de estrada, ou GPS com mapa antes de ter rota fixa, é o erro de quem monta tudo de uma vez.

24testesimpactos que a Virginia Tech aplica em cada capacete avaliado
5anostroca indicada pela maioria dos fabricantes, sem queda
1.500lmmínimo de farol para trilha à noite
2%perda de peso em suor que já derruba o rendimento

Como escolher um capacete de ciclismo seguro?

O capacete de bicicleta funciona por esmagamento. O casco de EPS (isopor de alta densidade) se deforma na batida e transforma a energia do impacto em deformação da espuma, em vez de passar essa energia para o crânio. Daí duas regras: a espuma só trabalha uma vez, e espuma mais dura não é melhor, porque esmaga pouco e passa mais aceleração para a cabeça. O equilíbrio entre espessura, densidade e área coberta só aparece em teste de laboratório.

Existe certificação do Inmetro para capacete de bicicleta?

Não. No Brasil, a certificação compulsória do Inmetro vale para o capacete de moto, não para o de bicicleta. A lista de componentes de bicicleta de uso adulto com certificação obrigatória, definida na Portaria Inmetro 202/2021, inclui quadro rígido, garfo rígido e de suspensão, pedivela, pedal, aro, raio, niple, guidão, suporte do guidão e câmara de ar. Capacete não está nela. Existe a norma ABNT NBR 16175, de 2013, para capacete de ciclista, mas sem selo obrigatório na prateleira. O Código de Trânsito também não obriga o ciclista a usar capacete.

Na prática, se vende de tudo, de capacete testado na Europa a casco sem teste nenhum. Olhe primeiro a etiqueta por dentro do casco. Ela deve citar pelo menos uma destas normas: EN 1078 (Europa), CPSC 16 CFR 1203 (Estados Unidos) ou, para downhill, ASTM F1952. Se o anúncio não informa a norma e a etiqueta não existe, escolha outro.

As três normas de capacete que você vai encontrar na etiqueta
NormaOrigem e usoBigorna plana (m/s)Bigorna de meio-fio (m/s)O que tem a mais
EN 1078Europa, uso geral5,424,57A mais comum em capacete importado; limite de 250 g no teste
CPSC 16 CFR 1203Estados Unidos, uso geral6,24,8Batida mais forte na bigorna plana que a europeia
ASTM F1952Downhill6,25,6Meio-fio mais severo, área testada mais baixa nas laterais e na nuca, queixeira testada quando existe

A energia cresce com o quadrado da velocidade: os 5,6 m/s da F1952 no meio-fio, contra 4,8 m/s da CPSC, são cerca de 36% mais energia para a espuma absorver. Por isso capacete de trilha, mesmo certificado, não substitui o de downhill.

MIPS vale o preço?

As normas acima medem batida reta. Na queda de bike, a cabeça quase sempre bate em ângulo, e a batida oblíqua gira a cabeça. Essa rotação está ligada à concussão. O MIPS é uma camada de baixo atrito entre a espuma e o forro que deixa o casco deslizar de 10 a 15 mm em qualquer direção no momento da batida, para reduzir a rotação que chega ao cérebro. Concorrentes com a mesma ideia: WaveCel (Trek/Bontrager), KinetiCore (Lazer) e 360 Turbine (Leatt).

O dado mais útil vem de fora dos fabricantes. O laboratório da Virginia Tech, nos Estados Unidos, aplica 24 impactos em cada modelo, em 6 pontos do casco e em duas energias, mede aceleração linear e velocidade de rotação, converte isso em risco de concussão e dá de 1 a 5 estrelas, com recomendação de escolher 4 ou 5. Há tabelas para estrada, MTB, urbano, full face e elétrica. Há críticas: o Bicycle Helmet Safety Institute questiona se os testes de rotação em laboratório reproduzem uma queda real, com o pescoço segurando a cabeça. Mesmo assim, se cabe no orçamento, capacete com sistema de rotação e boa nota independente é a compra mais segura.

Os capacetes do nosso catálogo, da GTA e da Absolute, são de entrada e nenhum tem MIPS; o GTA com LED nem informa certificação no anúncio. Servem para ciclovia e estrada de terra leve, se você conferir a etiqueta. Para trilha técnica, o passo seguinte é um modelo com MIPS e nota na Virginia Tech.

Como acertar o tamanho e o ajuste?

Meça a circunferência da cabeça com fita de costura, cerca de 2,5 cm acima das sobrancelhas, na parte mais larga. Compare com a tabela da marca, porque cada uma usa faixas próprias: o GTA Start do catálogo, por exemplo, tem tamanho único de 54 a 62 cm, e o Absolute Nero vem em 52 a 58 ou 58 a 62 cm. Vestido, o capacete fica nivelado, com a borda a uns dois dedos da sobrancelha. As tiras laterais formam um V logo abaixo da orelha, e a jugular deixa passar um ou dois dedos. Feche a regulagem da nuca e balance a cabeça: o casco não pode escorregar. Capacete caído para trás deixa a testa exposta.

Quando trocar o capacete?

Sem queda, a maioria dos fabricantes recomenda trocar a cada 5 anos. O Bicycle Helmet Safety Institute discorda e cita um estudo com 675 capacetes usados, alguns com 26 anos, em que o desempenho piorou só 0,7 g por ano. No Brasil, suor, sol e calor detonam antes as tiras e a regulagem da nuca: quando o ajuste já não segura, ou depois de 5 anos de uso pesado, troque.

E para downhill e enduro?

No downhill, o capacete é full face, com queixeira, e deve ter a etiqueta ASTM F1952. A UCI exige full face com pala em treino e prova de DH e proíbe capacete aberto (art. 4.3.012); nas provas brasileiras de DH, o guia técnico costuma exigir ainda colete, cotoveleira, joelheira e luva de dedo longo. Confira sempre o regulamento do evento. No enduro, a queixeira removível ajuda a subir ventilado, mas confira a certificação: a F1952 testa a queixeira quando ela existe e, nos removíveis, o capacete com e sem ela. Com full face, use máscara (goggle) no lugar do óculos, para vedar poeira e barro.

Sapatilha e pedal clip: qual sistema usar?

O pedal clip (clipless) prende o taquinho da sapatilha ao pedal por uma mola. O ganho real não é "puxar o pedal": é manter o pé na mesma posição sobre o eixo, sem escorregar quando a bike pula num buraco. A sola rígida espalha a força pela planta do pé, em vez de concentrar no eixo, e acaba com a dormência de quem pedala de tênis macio por uma hora.

São dois padrões de furação, e eles não se misturam. A sapatilha de 2 furos aceita o taquinho SPD, pequeno, de metal e embutido na sola, o que permite andar a pé. A de 3 furos aceita o taquinho SPD-SL da Shimano ou o Look, grandes e de plástico, que sobressaem da sola e transferem força numa área maior, mas fazem você andar como pato. Os taquinhos de 3 furos vêm em cores conforme a folga lateral (float). No SPD-SL da Shimano, vermelho tem 0 grau, azul 2 e amarelo 6, que é o padrão e o melhor ponto de partida para os joelhos; na Look Keo, as cores mudam (preto 0, cinza 4,5 e vermelho 9 graus), então confira o float, não a cor. No SPD, o SM-SH51 só solta girando o calcanhar para fora; o SM-SH56 solta em várias direções, mais fácil para iniciante e mais sujeito a soltar sem querer na trilha.

Sistemas de pedal: onde cada um funciona melhor
SistemaSapatilhaOnde funciona melhorComo soltaAndar a pé
Plataforma com pinosTênis de sola de borracha maciaDownhill, enduro, trilha técnica, quem está aprendendo técnicaBasta tirar o péÓtimo
SPD Click-R e pedal híbrido2 furos, ou tênis no lado plataformaPrimeira experiência com clip, cidade, cicloturismoGiro do calcanhar com mola mais leveBom
SPD (2 furos)Sapatilha de MTBXC, trilha, gravel, rolo de treinoGiro do calcanhar, tensão regulávelBom
SPD-SL ou Look (3 furos)Sapatilha de estrada, sola rígidaSpeed e treino longo no asfaltoGiro do calcanhar, mais firmeRuim

Para quem nunca usou clip, o caminho mais tranquilo é o SPD de soltura fácil. O Shimano PD-T421 tem um lado com clip Click-R, de mola mais leve, e o outro de plataforma, para usar de tênis no dia a dia. Quem já está seguro vai direto para um SPD de dois lados como o PD-M520, que encaixa de qualquer lado e é um dos pedais clip mais comuns no MTB. Na speed, o padrão é 3 furos; no gravel, o SPD vence, porque você desce da bike para empurrar e abrir porteira.

No downhill e no enduro, muita gente prefere a plataforma com pinos, e não é por ser iniciante. Com o pé solto, você pode tirar o pé na curva (o "dab"), reposicionar o pé depois de uma sequência de raízes e saltar sem medo de cair preso à bike. Os pinos de aço mordem a sola de borracha macia e seguram o pé no tranco. Plataforma boa é larga, fina e tem eixo de cromo-moly. O preço é a canela: pino machuca.

Comprou pedal avulso? No Brasil, pedal está na lista de componentes com certificação compulsória do Inmetro. Procure o selo na embalagem.

01
Pedal Shimano PD-T421 Click-R
Pedal

Pedal Shimano PD-T421 Click-R

Para começar no pedal clip: um lado com clip de soltura fácil (Click-R) e outro de plataforma.

  • SistemaSPD Click-R
  • Lados1 clip + plataforma
  • Soltura mais fácil para iniciante
  • Lado plataforma para usar com tênis
  • Taquinho incluso
  • Mais pesado
02
Pedal clip Shimano PD-M520
Pedal

Pedal clip Shimano PD-M520

O pedal clip mais vendido do mundo para MTB: dois lados de encaixe e taquinho SPD incluso.

  • SistemaSPD
  • Lados2
  • Quase 4.700 avaliações, nota 4,7
  • Encaixa dos dois lados
  • Durável e barato de manter
  • Pesado em comparação aos de topo
03
Pedal plataforma Promend PD-M29
Pedal

Pedal plataforma Promend PD-M29

Pedal plataforma de alumínio para trilha e downhill com tênis, leve e com boa área de apoio.

  • Peso319 g (par)
  • Plataforma123 x 100 mm
  • Leve (319 g o par)
  • Plataforma larga
  • Eixo cromo-moly
  • Pinos podem machucar a canela

O bloco cobre as três escolhas: PD-T421 para aprender o clip, PD-M520 para quem já decidiu pelo SPD e o Promend PD-M29, plataforma de alumínio de 319 g o par e 123 x 100 mm, para tênis na trilha ou no DH. Todos são de entrada. Na sapatilha, a Giro Gauge é a de MTB de entrada de uma marca de ponta, com numeração americana; a New Fox Way2 tem numeração brasileira e sola menos rígida.

Bermuda de ciclismo, luvas e óculos: o que muda de verdade?

A bermuda de ciclismo resolve um problema de mecânica simples: o selim apoia o corpo em dois ossos da bacia (os ísquios) e no períneo, e a pedalada faz a pele esfregar contra o selim milhares de vezes por hora. O forro, que o mercado chama de camurça por herança das bermudas antigas, cria uma camada que acompanha o corpo, tira o atrito da pele e afasta o suor. A lycra justa impede a ruga que vira ponto de atrito.

Os forros são de espuma ou de gel. O gel amortece bem a pressão e aparece muito nas bermudas de entrada, mas é mais pesado e esquenta mais no calor. A espuma de alta densidade, sobretudo a de densidade variável (mais grossa sob os ísquios, mais fina nas laterais), mantém o formato em pedal longo e respira melhor, por isso domina nas bermudas caras. Até duas horas, qualquer forro decente resolve; acima disso, formato e costura pesam mais que o material.

Por que sem cueca? Porque a costura da cueca fica exatamente sobre o ponto de pressão e o algodão segura o suor junto da pele. É a receita da assadura. A bermuda foi feita para ser usada direto sobre o corpo. Lave depois de cada uso, seque à sombra e não use amaciante, que entope o tecido do forro. Em pedal longo, use creme anti-atrito. Assadura que volta toda semana costuma ser selim errado ou bike mal ajustada, e confira altura e recuo do selim com o cálculo do tamanho do quadro.

A bretelle troca o elástico da cintura por alças: sem nada apertando a barriga e com o forro preso no lugar, é mais confortável acima de duas horas, sobretudo na speed. No MTB, muita gente usa a bermuda de forro por baixo de uma folgada (baggy), que aguenta galho e tem bolso.

A luva de dedo longo é a regra no MTB: na queda, a palma da mão é o primeiro ponto a tocar o chão, e a luva também mantém a pegada no manete quando a mão sua. Na speed, a luva de meio dedo com acolchoado leve é a mais comum. Formigamento na mão vem mais da posição do guidão do que da luva.

O óculos protege de galho, poeira, inseto e sol. Na estrada, lente escura com proteção UV. Na trilha dentro da mata, lente clara ou fotocromática: lente escura demais esconde a raiz e o buraco na sombra.

Quantos lúmens o farol precisa ter?

Há dois tipos de farol. O farol para ser visto tem feixe aberto, modo piscante e pouca potência: avisa o motorista que você está ali, na cidade iluminada ou de dia. O farol para enxergar joga luz no chão para você ler o terreno na sua velocidade; quanto mais rápido e técnico, mais luz.

Na trilha à noite, a BikeRadar, que testa faróis de MTB todo ano, coloca o mínimo em 1.500 lúmens, e mais para quem desce rápido ou anda em trilha técnica. Na cidade iluminada, onde o objetivo é ser visto, 300 a 600 lúmens bastam, segundo o fabricante de faróis Exposure ouvido pela revista; em estrada sem iluminação, a mesma fonte fala em 1.300 a 2.000. Um kit simples de farol e lanterna recarregável, de R$ 25 a R$ 60, serve para ser visto, não para enxergar. Desconfie do número do anúncio: o lúmen real costuma ser menor que o prometido, sobretudo nos faróis genéricos de LED T6. Repare também na autonomia, que despenca no modo mais forte; nos testes da BikeRadar, todos os aprovados duravam pelo menos uma hora a 1.500 lúmens.

Para trilha noturna, o melhor arranjo é um farol no guidão e outro no capacete. A luz do guidão fica abaixo dos olhos e cria sombra atrás de cada pedra e raiz, o que mostra o relevo. A luz do capacete aponta para onde você olha, inclusive para a saída da curva antes de a bike virar.

Atrás, use sempre uma lanterna vermelha, de preferência no modo piscante também de dia na estrada. E a lei? A Resolução Contran 912/2022 manda que bicicletas de aro acima de 20 tenham espelho retrovisor do lado esquerdo, campainha e refletores com visibilidade mínima de 30 metros: branco ou amarelo na frente, vermelho atrás, além dos laterais e dos pedais. Bikes de esporte (MTB, downhill, estrada, velódromo) só ficam dispensadas do retrovisor e da campainha quando em competição, e nunca dos refletores. A regra pede refletor, não farol: o farol você usa pela própria segurança.

O que levar no pedal para resolver um pneu furado ou uma corrente quebrada?

Furo e corrente quebrada são o que mais deixa gente a pé. O kit mínimo resolve os dois e cabe numa bolsa de selim.

  • Câmara reserva da medida do pneu (aro e largura) e com a mesma válvula do aro, Presta (fina) ou Schrader (de carro). Câmara de ar também está na certificação compulsória do Inmetro: compre com selo.
  • Plug de reparo tubeless, se o seu pneu é sem câmara. O plug fecha furo de espinho e de pedra que o selante não vedou. Rasgo na lateral não fecha com plug, por isso a câmara reserva vai junto mesmo no tubeless.
  • Duas espátulas de plástico. Chave de fenda risca o aro e corta a câmara nova.
  • Bomba. No MTB, uma bomba de quadro de maior volume; na speed, uma mini bomba de alta pressão ou cartucho de CO2 com válvula. Calibre de verdade em casa, com bomba de pé e manômetro, seguindo a calculadora de pressão do pneu.
  • Multiferramenta com chaves Allen de 2,5 a 8 mm, Torx T25 e extrator de corrente.
  • Elo rápido do mesmo número de velocidades da sua corrente (11 com 11, 12 com 12). Com ele e o extrator, você tira o elo quebrado e emenda a corrente na trilha em cinco minutos.

Para trilha longe de casa, inclua uma gancheira de câmbio reserva do modelo exato do seu quadro, umas abraçadeiras de nylon e fita silver tape enrolada na bomba. A gancheira entorta quando o câmbio bate numa pedra; sem ela, a bike vira patinete. Treine a troca de câmara em casa. O passo a passo está em Oficina.

A caramanhola tem de 500 a 750 ml, deixa as costas livres e é o padrão na speed e no XC. A mochila de hidratação leva de 1,5 a 3 litros no reservatório e ainda carrega ferramenta, câmara e capa de chuva: é a escolha para trilha longa, longe de ponto de água, ao custo de calor nas costas. O American College of Sports Medicine recomenda beber o bastante para não perder mais de 2% do peso corporal em suor, ponto a partir do qual o rendimento cai. Para descobrir o seu gasto, pese-se antes e depois de um pedal de uma hora: cada quilo perdido é cerca de um litro de suor a repor. No calor do verão brasileiro, em pedal acima de duas horas, use bebida com sais minerais, não só água.

Ciclocomputador, GPS ou celular?

Para começar, o celular com Strava registra tudo. Mas o GPS gasta bateria, a tela some no sol e o aparelho sofre na queda e na chuva. Um ciclocomputador GPS dedicado resolve isso. O iGPSPORT BSC100S, por exemplo, anuncia 40 horas de bateria e proteção IPX7 contra água, mas não navega rota. Para seguir trajeto no guidão, o BSC200S tem navegação, e o Garmin Edge 1050 tem mapa colorido completo, a preço de topo. O que vale pagar é a conexão ANT+ e Bluetooth com sensores de frequência cardíaca, cadência e potência, a base para treinar por zonas, como explicamos em Treino.

Como levar a bike no carro sem tomar multa?

A regra vigente é a Resolução Contran 955/2022, que revogou a antiga 349/2010. A bike vai na traseira ou no teto, em suporte próprio, e é tratada como carga indivisível. Não pode esconder as luzes de freio, as setas nem os refletores (a única exceção é o brake light elevado), não pode passar da largura do carro nem sobressair na frente, e o motorista tem de conferir a amarração durante a viagem.

O ponto que gera multa: se a bike cobrir a placa traseira, mesmo em parte, é obrigatória a segunda placa; se cobrir a sinalização traseira, é obrigatória a régua de sinalização. A régua tem pelo menos 1 metro de largura, faixas refletivas brancas e vermelhas em 45 graus e luzes ligadas ao carro, iguais às dele. Rodar sem a segunda placa quando ela é obrigatória é infração do art. 230 do Código de Trânsito, e a bike mal amarrada cai no art. 169.

O transbike de engate é o mais prático para duas a quatro bikes: você levanta a bike só até a cintura e o modelo com inclinação deixa abrir o porta-malas. Em compensação, quase sempre cobre a placa e as lanternas, e o carro precisa de engate. O de teto libera a traseira e a placa, mas pede rack, aumenta consumo e barulho e não passa em garagem baixa. O de porta-malas, preso por cintas, é o mais barato e não pede engate nem rack, mas pode riscar a lataria, costuma cobrir a placa e tem limite de carga baixo, como os 40 kg para duas bikes do modelo do nosso catálogo. Para e-MTB, que pesa bem mais que uma MTB comum, confira o limite por bike do suporte.

Quanto custa o equipamento em cada fase?

As faixas abaixo somam preços de produto novo vistos em lojas e marketplaces brasileiros em outubro de 2026, arredondados, e mudam com o câmbio e a marca. A ideia é mostrar a ordem de prioridade: a fase 1 é o que você compra junto com a bike, a fase 2 entra quando o pedal vira hábito, e a fase 3, quando você define a modalidade.

Orçamento de equipamento de ciclismo por fase (faixas aproximadas)
FaseO que entraFaixa aproximada (R$)
1. Primeiras saídasCapacete certificado de entrada, bermuda com forro, luva, caramanhola e suporte, kit de reparo com bomba de quadro400 a 1.200
2. Pedal toda semanaSapatilha e pedal clip, óculos, farol e lanterna traseira, bomba de pé com manômetro, ciclocomputador GPS de entrada900 a 2.500
3. Trilha técnica, DH ou estrada a sérioCapacete com MIPS ou full face ASTM F1952, joelheira, farol de 1.500 lm ou mais, bretelle, GPS com navegação, transbike2.500 a 10.000 ou mais

Alguns preços de referência: o pedal Shimano PD-M520 fica perto de R$ 300; um GPS de entrada como o iGPSPORT BSC100S, por volta de R$ 280, e o Garmin Edge 1050, acima de R$ 4 mil; um full face de marca, de R$ 1.400 a R$ 1.900; um transbike de porta-malas sai por R$ 150 a R$ 250, e um de engate da Thule vai de cerca de R$ 1.300 a mais de R$ 7 mil. Economize no ciclocomputador e no farol de ser visto. Não economize no capacete, na bermuda de toda semana e no transbike, que segura a bike a 100 km/h. Para a fase 1, o bloco abaixo reúne opções de entrada do catálogo: o GTA Start é in-mold, com 20 entradas de ar, mas sem MIPS; a bermuda tem forro de gel; a bomba Vonder vai presa no quadro e não tem manômetro, então calibre em casa.

01
Capacete GTA Start in-mold 20 entradas de ar
Capacete

Capacete GTA Start in-mold 20 entradas de ar

Para trilha e speed no calor: construção in-mold (casco e espuma fundidos) com 20 entradas de ar.

  • TamanhoM-G (54-62 cm)
  • ConstruçãoIn-mold
  • Ventilação20 entradas
  • Construção in-mold, mais resistente a impacto pequeno
  • 20 entradas de ar
  • Almofadas removíveis e laváveis
  • Ajuste único M-G: confira a medida da cabeça
  • Sem MIPS
02
Bermuda de ciclismo masculina com forro de gel
Bermuda

Bermuda de ciclismo masculina com forro de gel

A bermuda de ciclismo mais vendida: forro de gel para pedais longos sem assadura.

  • ForroGel
  • UsoMTB e speed
  • Mais de 300 avaliações
  • Forro de gel
  • Marca genérica: confira a tabela de tamanhos
03
Bomba de ar portátil Vonder com suporte de quadro
Bomba de ar

Bomba de ar portátil Vonder com suporte de quadro

A bomba de quadro para levar na trilha e resolver o pneu murcho no caminho.

  • CorpoAlumínio
  • ExtrasSuporte de quadro
  • Suporte para o quadro
  • Mais de 130 avaliações
  • Sem manômetro: calibre em casa com bomba de pé

Ainda escolhendo a bike? Veja as fichas em Bikes. Para saber onde pedalar, a lista de trilhas e bike parks traz lugares conferidos por estado.

Perguntas frequentes

Qual o equipamento obrigatório para andar de bicicleta no Brasil?

Pela Resolução Contran 912/2022, a bicicleta de aro acima de 20 deve ter retrovisor esquerdo, campainha e refletores na frente, atrás, nas laterais e nos pedais. Bikes de esporte só ficam dispensadas do retrovisor e da campainha quando em competição. O capacete não é obrigatório pelo Código de Trânsito, mas é o primeiro item da lista de qualquer ciclista.

Capacete de ciclismo tem selo do Inmetro?

Não há certificação compulsória do Inmetro para capacete de bicicleta, só para o de moto. Procure por dentro do casco a etiqueta de uma norma reconhecida: EN 1078, CPSC ou, para downhill, ASTM F1952.

Pode usar cueca com bermuda de ciclismo?

Não. A bermuda foi feita para ser usada direto na pele: a costura da cueca fica sobre o ponto de pressão do selim e o algodão segura o suor, o que causa assadura.

Qual pedal clip é melhor para iniciante?

Um SPD de soltura fácil, como o Shimano PD-T421 Click-R, com um lado de clip e outro de plataforma, ou um SPD comum como o PD-M520 com a mola na tensão mínima. Treine encaixar e soltar parado antes de ir para a rua.

De quanto em quanto tempo trocar o capacete de bike?

Imediatamente depois de qualquer queda em que a cabeça bateu. Sem queda, a maioria dos fabricantes recomenda a troca a cada 5 anos, ou antes, se as tiras e a regulagem já não seguram o capacete no lugar.

Transbike que cobre a placa dá multa?

Dá, se você não usar a segunda placa. A Resolução Contran 955/2022 exige segunda placa quando a bike cobre a placa traseira e régua de sinalização com luzes quando cobre as lanternas; rodar sem a segunda placa obrigatória é infração do art. 230 do Código de Trânsito.

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Fontes e referências

  1. Virginia Tech Helmet Lab, metodologia e notas STAR de capacetes de bicicleta
  2. Bicycle Helmet Safety Institute, quando trocar o capacete
  3. Bicycle Helmet Safety Institute, norma ASTM F1952 de downhill comparada à CPSC
  4. BikeRadar, o que é MIPS e como funciona
  5. BikeRadar, faróis de mountain bike testados
  6. BikeRadar, quantos lúmens o farol precisa ter
  7. UCI, Regulamento de Mountain Bike, Parte 4 (downhill)
  8. Inmetro, componentes de bicicleta de uso adulto com certificação compulsória (Portaria 202/2021)
  9. Resolução Contran 955/2022, transporte de bicicletas nas partes externas dos veículos (DOU)
  10. Resolução Contran 912/2022, equipamentos obrigatórios, inclusive de bicicletas
  11. Shimano SPD e SPD-SL: taquinhos, folga e tipos de soltura
  12. American College of Sports Medicine, posicionamento sobre exercício e reposição de líquidos

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